Se existem bastantes filmes que apelam a muita gente, talvez existam ainda mais uns quantos que dizem apenas respeito a uma pequena minoria. Ao escrever sobre este Super Baldas, receio estar para aqui a dissertar sobre uma película que desperte a curiosidade de meia dúzia de cinéfilos que resistem a um título infeliz e a um tema mais do que visitado. A todos os que já resistiram a isto, os meus sinceros parabéns e felicitações, por terem descoberto, provavelmente, a melhor comédia do ano, até ao momento. A todos aqueles que pensam ter o que é necessário para combater estas duas adversidades, força! A todos os outros, vamos ver se as linhas que se seguem conseguem dizer com todas as letras que…hum…como dizê-lo… bem, que este filme é algo de excepcional. Super-Excepcional!
Antes de mais, é importante defender aqui a tradução. Apesar de algumas borradas que não poderemos, jamais, desculpar, outras vezes há em que aquilo que chega às mãos da editora é terrivelmente difícil de traduzir. É difícil compreender, por exemplo, como é que surge a alguém um nome como Granda Moca, Meu ou Sempre a Bombar. Tentemos algo de mais positivo. Com efeito, tendo estas duas referência, Super Baldas não é assim tão mau, apesar de intensificar uma mensagem errada que pode vir já do trailer: a de que este filme é apenas para todos os rapazes com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos. Super Baldas não é um filme apenas para rapazes e, muito menos, só para adolescentes.
Contudo, Superbad também não é um filme para todos. E não o é, não porque a sua mensagem é demasiado complexa, ou porque os assuntos tratados se restringem única e exclusivamente ao contexto norte-americano. Superbad é um filme para todos aqueles que já passaram pela adolescência, desde que se lembrem dela. Agora, é claro que, por estarmos a falar de uma comédia sobre a descoberta da sexualidade, os temas abordados acabam por ser hiperbolizados de modo a atingirem as chamadas situações hilariantes.
Logo na cena inicial, uma conversa ao pequeno-almoço, antes da ida para a escola, sobre sites pornográficos e como subscrever um, cujo nome não desperte a curiosidade dos pais, dita o rumo do filme. A partir daí, já sabemos qual será o trilho percorrido por esta história. Ou, será que sabemos? O espaço temporal do filme não chega a dois dias. Tudo se passa em cerca de dia e meio, por mais incrível que pareça. Num tão curto espaço de tempo, acontece tudo aquilo que apenas poderia acontecer num filme com a qualidade, irreverência, espontaneidade e inocência de Super Baldas. O filme é uma visita guiada à idade dos porquês, mas dos porquês aos quais ninguém quer responder.
O argumento de Seth Rogen e Evan Goldbergh é qualquer coisa de notável. A palavra fuck é proferida a uma média superior a uma vez por minuto. E nenhuma delas é desprovida de sentido. Jonah Hill é surpreendentemente hilariante, Michael Cera confirma o dom para a interpretação no registo geek, Christopher Mintz-Plasse é irrepreensível, e Bill Hader dá continuidade àquilo que já nos vinha habituando em Saturday Night Live. Quanto a Seth Rogen, guardaremos os elogios para depois de Knocked Up.
Será que podemos considerar Super Baldas ofensivo? Podemos. Será que podemos considerar Super Baldas obsceno? Podemos. Será que podemos considerar Super Baldas um dos filmes mais cómicos dos últimos tempos, para não dizer de sempre? Sem sombra de dúvida.
A história de dois melhores amigos e um bom compincha que apenas querem ir para a cama com uma rapariga, antes do liceu terminar, nada tem de American Pie. McLovin é uma nova página que se abre na história do cinema. Com a devida distância, este pode ser O Rei dos Gazeteiros de toda uma geração. Basta para isso acarinhá-lo, e descobrir a verdadeira mensagem por detrás deste hino à boa disposição.
Agora, se me perguntarem que imagem guardarei deste filme, certamente será aquela antes da fita começar a rolar, quando, numas filas mais à frente, vi uma espectadora folhear a Premiere… Os risos e as gargalhadas que surgiram com o filme fizeram esquecer tudo isto, por duas horas e, isso, é impagável. Haja mais filmes como este Super Baldas!
Alvy Singer
Etiquetas: Super Baldas