Num dia incrivelmente parco em notícias, damos por nós a contemplar a chegada de terça-feira, sem um único post datado de segunda. Não pode ser. Até porque, apesar de serem poucas, as ditas cujas são relevantes. Cada uma, à sua maneira. Talvez a respeitante à estreia de X-Men Origins: Wolverine na Cidade do Mexico seja a mais importante. Devido ao vírus da gripe suína que rapidamente se tem vindo a espalhar pelos quatro cantos do planeta, e encontra na capital mexicana o seu berço, a Twentieth Century Fox decidiu adiar a estreia, marcada para esta quarta-feira, do filme protagonizado por Hugh Jackman. De acordo com a revista People, um representante do estúdio terá justificado do seguinte modo.
“We were not only concerned about Hugh's welfare - and we would never send anyone into harm's way - but we also have an enormous office filled with people we care about. There was no point in proceeding under the current conditions”.
O governo mexicano recomenda os habitantes a não saírem de casa, e as principais cadeias de cinema – Cinepolis, Cinemex, Cinemas Lumiere and Cinemark – encontram-se encerradas. Segundo a Variety, outras cadeias seguirão o exemplo.
Um belo dia, Hugh Jackman e a 20th Century Fox concordaram que seria boa ideia fazer um filme dedicado a Wolverine. Para deleite de milhões de fãs da saga, a estrela da companhia X-Men teria a oportunidade de brilhar numa película inteiramente à sua disposição. David Benniof começou a escrever o argumento, e Gavin Hood foi contratado como realizador. A rodagem decorreu sem sobressaltos, e a obra foi para pós-produção. Com o hype a aumentar a cada dia, as entrevistas promocionais foram-se sucedendo. Teasers, posters, trailers, feauturettes. A panóplia do costume. Jackman a apresentar a cerimónia dos Oscars foi uma espécie de bónus. Por esta altura, Roger Friedman, um freelancer a colaborar com a Fox News, tomava o seu café matinal com a mesma descontracção de sempre. Contudo, na última semana de Março, aquela decisão de Jackman uns anos antes viria a revelar-se determinante na carreira profissional de Friedman. Alguém colocou um torrent online com o filme de Hood. X-Men Origins: Wolverine ficou, assim, à babuje. Era só pegar. Friedman pegou. Mordeu o isco. O problema é que o pobre Friedman só queria mostrar trabalho. No entanto, o excesso de vontade, para o bem e para o mal, pode ser tão nefasto como a falta dela. Num acto de manifesta ingenuidade, Friedman publica uma critica do filme — entretanto retirada do site. Já depois de a 20th Century Fox ter informado que tinha posto o FBI a tomar conta do caso, e que todos aqueles que tivessem lucrado com a colocação do título online teriam a punição merecida. Friedman, entretido a ver o filme, não deve ter tido conhecimento. No dia seguinte, a Fox News, algo agastada com o sucedido, comunica o seguinte.
“We’ve just been made aware that Roger Friedman, a freelance columnist who writes Fox 411 on Foxnews.com - an entirely separate company from 20th Century Fox — watched on the internet and reviewed a stolen and unfinished version of X-Men Orgins: Wolverine. This behavior is reprehensible and we condemn this act categorically — whether the review is good or bad”.
Aqui, Friedman deve começado a ver a sua vida andar para trás. Hoje, depois do post colocado por Nikki Finke, deve ter começado a retocar o CV.
“I’m told that Fox News’ actions were swift and severe. Roger Ailes, who overseas Fox News, deleted the offending post after he was contacted by 20th Century Fox, and then fired Friedman as a freelance Fox News entertainment writer. I hear the move was done with the full support of News Corp. ”He promoted piracy. He basically suggested that viewing a stolen film is OK, which is absolutely intolerable. So we fired him,” a source told me Saturday. “Fox News acted promptly on all fronts”.
Não será seguramente o primeiro despedimento da História provocado por um filme. Mas, deste género, se calhar nunca houve outro igual.
Aproveitemos o trailer de X-Men Origins: Wolverine para uma confissão. O filme de Gavin Hood até pode encobrir a redefinição de todo um género. Até pode ser uma obra triunfante a toda a linha, capaz de derrubar alicerces que há décadas ditam os vectores primordiais num título de entretenimento. Até pode ser o ponto de partida para o filme de acção do século XXI. No entanto, por enquanto, aquilo que estas imagens nos mostram é mais um filme pipoca – adoramos estas simplificações. No fundo, o último trailer antes da chegada a 30 de Abril – no próximo número da Premiere teremos um especial dedicado ao filme –, vem apenas confirmar aquilo que os outros trailers e teasers já vinham anunciando. Depois de passarmos com o algodão por cima, constatamos que isto é blockbuster puro. E, é aqui que chegamos à parte da confissão.
A felicidade de colaborar na Premiere dá-me – e, neste ponto, falo por mim – a maravilhosa oportunidade de assistir à antestreia de alguns filmes meses antes da sua chegada às salas. E, frequentador habitual que era – e, para todos os efeitos, continuo a ser – dos multiplex, creio que não poderia ter encontrado um cenário mais contrastante, na primeira vez que entrei numa sessão reservada para a imprensa. Um silêncio sepulcral, cortado, a espaços, por gargalhadas estridentes. Há filmes que não podem ser vistos senão desta forma. Talvez por isso é que Revolutionary Road tenha caído tão bem. Ou The Wrestler. No entanto – cada vez mais próximos da confissão –, acredito que certos títulos pedem por uma sala de 400 lugares, apinhada, da primeira à última fila, com gente manifestamente limitada no que respeita a mastigar de boca fechada, e capaz de mandar um bitaite do género “Dá-lhe Tuga!”, como aconteceu em Max Payne, quando Nelly Furtado apareceu no grande ecrã. Acredito piamente, que uma percentagem da satisfação do visionamento se define do lado de cá da tela. De quem está connosco na sala, e de como reage àquilo que os nossos olhos também vêm. Há quem não tolere o barulho de uma mosca. Há quem peça silêncio moderado. Há quem goste de agitação. Para Alvy Singer, depende do filme. Aqui este Wolverine, deverá ser visto dia 01 de Maio, sexta-feira, num qualquer centro comercial, pelas 21h. Confusão, é o que se quer.
Depois de ter sido eleito o homem mais sexy do planeta, no mesmo mês em que o seu Austrália chega às salas nacionais, e quando meio mundo aguarda por voltar a vê-lo como Wolverine no grande ecrã, Hugh Jackman é escolhido para ser o anfitrião da próxima cerimónia dos Oscar. Num comunicado da AMPAS, podemos ler as palavras do produtor Laurence Mark, e do produtor executivo Bill Condon: “Hugh Jackman is a consummate entertainer and an internationally renowned movie star. He also has style, elegance and a sense of occasion. Hugh is the ideal choice to host a celebration of the year’s movies – and to have fun doing it”. Já vimos alguém gritar I’m the king of the world!, por muito menos.
No mesmo dia em que ficamos a conhecer a capa da próxima edição da Empire, com Wolverine em grande estilo, ficamos também a saber que o trailer do filme virá com as cópias de O Dia em Que a Terra Parou. O remake com Keanu Reeves estreará por cá no fim-de-semana de 11 de Dezembro. Bom era que estas cópias viessem já com as primeiras imagens do filme com Hugh Jackman, até porque a Fox já avisou que não colocará o trailer online nos próximos tempos, obrigando assim a malta a ver o filme de Reeves. Uma mão lava a outra, e as duas lavam a cara. Ou seja, os mais ferrenhos terão mesmo de se deslocar às salas de Cinema, se quiserem matar a curiosidade. Contudo, por cá, é pouco provável que tenhamos o privilégio de ver o trailer de X-Men Origins: Wolverine na grande tela, ainda este ano. Primeiro, ainda vamos ter de levar com aqueles vídeos no Youtube gravados com um telemóvel, onde o ruído da multidão abafa qualquer som proveniente das colunas. Sobre o filme, diz Jackman “There's a scene in the first X-Men movie, where Wolverine's introduced in a bar, fighting in a cage, and you felt that he did this every night of his life. If this movie is successful, you should feel that this guy can walk straight off the end of this film and into that bar". Portanto, no final, deverá ser natural se ficarmos com vontade de beber um copo com este homem.
Tudo em Australia faz supor grandiosidade. Orçamento simpático de 120 milhões de dólares; elenco vistoso, encabeçado por Nicole Kidman e Hugh Jackman; realizador com visão; e teasers e trailers que mostram orgulhosamente paisagens e planos arrebatadores. O vocábulo épico é o primeiro que se nos ocorre. E, como que para não defraudar expectativas neste particular, está confirmada a longa duração da obra, a rondar os 170 minutos. Bem menos tempo que isso demora o mais recente trailer.
As imagens que continuam a chegar-nos de Australia vão apenas engrandecendo o desejo já de si avultado, de ver um novo filme arquitectado pela engenhosa mente brilhante de Baz Luhrmann. Depois de um primeiro teaser e primeiro trailer, este novo cartão-de-visita vem alimentar ainda mais esta vontade crescente de conhecer a terra austral. A avaliar pela beleza destes planos, estamos em crer que a lente de Luhrmann valerá uns largos milhares de panfletos turísticos. Agora, o mais recente trailer faz questão de focar o ponto de que esta é uma história de amor. Mais do que tudo o resto. E, para além da fotografia arrebatadora que parece esconder-se a cada paisagem, uma ligeira brisa de A Rainha Africana faz-se notar. O ambiente, pelo menos, é propício.
Antes deste mutante chegar, teremos ainda direito a ver outros heróis em acção. Seja Bale em The Dark Knight, Robert Downey Jr. em Iron Man, Harrison Ford em Indiana Jones and The Kingdom of The Crystall Skull, Norton em The Incredible Hulk, Stallone em John Rambo ou Ron Perlman em Hellboy 2: The Golden Army, todos estes estrearão em 2008, enquanto Hugh Jackman e o seu X-Men Origins: Wolverine apenas chegará às salas de todo o mundo lá para Maio de 2009. No entanto, só porque falta ano e meio, não é razão para não estarmos já com a pulga atrás da orelha. Primeiro, porque com esta senhora neste estado, e a rodagem a começar já no próximo mês de Dezembro, temos mais do que razões suficientes para questionar a presença de Storm nesta prequela. Depois, porque o realizador Gavin Hood já anda por aí a partilhar ideias. Aqui fica uma breve entrevista, se assim se poderá chamar, do homem que ocupará a cadeira que esteve para ser de Brett Ratner, Zach Snyder, Len Wiseman e Brian Singer.