Quando a notícia de que um filme baseado no livro O Hobbit seria mesmo uma realidade, surgiu pela primeira vez, ainda Homer Simpson tinha cabelo. Pelo menos, mais do que três resquícios. Quando pensamos nos títulos mais aguardados para os próximos tempos, tendemos com frequência a deixar de parte a adaptação do prelúdio de O Senhor dos Anéis. Tal dever-se-á talvez ao facto de a pré-produção do dito cujo andar num pára-arranca intermitente que parece não levar a lado algum. Sem querer afirmar que a fé está abalada, confessamos apenas ter já suspirado muito menos pela chegada deste título. Num artigo recentemente publicado pela Variety sobre as mudanças ocorridas na New Line, a páginas tantas, uma achega sobre este título:
“[Warners top dog Alan] Horn won’t predict when the first of the two Hobbit films will be out, but says the most probable scenario would be a release in the fourth quarter of 2012”.
Isto é, mais um ano do que havia sido calendarizado previamente. Há quem diga que a venda e reestruturação da MGM não têm ajudado. Há quem diga que o casting tem sido o cabo dos trabalhos. Seja como for, ou Guillermo Del Toro se atira a outro projecto para passar o tempo, ou podemos ficar um bocado sem ter um flick do cineasta no grande ecrã. E, não nos parece que Del Toro seja daqueles que aguenta estar três anos a olhar para o mesmo guião. Agora, esta espera toda pode ser exactamente o que o filme precisa. De modo a fazer justiça à matéria-prima, bem como ao trabalho de Peter Jackson, que nada se apresse. Leve-se o tempo que for preciso. Uma experiência tântrica pode apenas se traduz num êxtase mais acentuado. Se o filme for de alto lá, quanto mais tempo demorar a chegar, melhor.
Volta e meia, sinto falta de certos filmes. Mais do que de açucar. Não poucas vezes, um simples caminhar pelo passeio é suficiente para recordar uma série de momentos marcantes proporcionados pela sétima arte. De manhã, ao pequeno-almoço, costumam ser logo uns dois ou três. Depende do farnel. Se for cereais, é mais comédias. Se for pão, é mais dramas. São idiossincrasias difíceis de explicar, que dispensam de igual modo qualquer justificação. Todos temos as nossas imperfeições. E, dentre todas elas, respirar cinema deverá ser das que menos mal traz ao mundo. A palavra vicio acarreta uma conotação depreciativa da qual sempre procurei fugir a sete pés. Contudo, será talvez a mais apropriada. Só é pena que, para este, ao contrário de outros, não existam sistemas transdérmicos, vulgos pensos adesivos, que se colem à pele e passem através dos poros os mais diversos frames de que precisamos durante o dia. Hoje, não vejo a hora de chegar a casa, e matar as saudades de Lord of the Rings. A culpa é desta senhora que dá pelo nome de Lisa Kelly. Devia ser proibido ter uma voz destas. Dizer que é angelical não lhe faz jus. É certo que a de Eithne Patricia Ní Bhraonáin – Enya para o mundo – não fica atrás. Contudo, esta tarde calhou ver Kelly. Agora, o que ia mesmo bem, eram aqueles planos bem abertos com a paisagem de Rohan lá ao fundo. Del Toro, apruma-te.
Ainda falta que se farta para vermos o encontro de Bilbo Baggins e Sméagol numa gruta refundida no interior das Montanhas Nebulosas. O jogo de adivinhas entre Bilbo e Gollum será um dos pratos fortes da obra que Guillermo del Toro tenciona levar às salas de todo o mundo em 2012. Mas, até lá, muita uva tem de dar este chão. A cerca de três anos da chegada do filme, a excitação começa. Nunca é cedo demais. E, há que pegar por algum lado. O que está a dar mais agora, como não podia deixar de ser, é o casting. Especialmente, saber quem será Bilbo. É claro que também gostávamos de conhecer os actores que interpretarão os treze anões: Dwalin, Balin, Kili, Fili, Dori, Nori, Ori, Oin, Gloin, Bifur, Bofur, Bombur e Thorin Escudo-de-Carvalho. Contudo, é Bilbo que queremos realmente descobrir. Em Janeiro, del Toro afirmou que o leque de potenciais protagonistas havia sido reduzido a quatro. Ontem, em entrevista à MTV – cujo vídeo pode ser visto mais abaixo –, o realizador afirmou que, dentro de duas semanas, todos deveremos ficar a saber quem foi o eleito. Alguns nomes têm vindo a público e, por aqui e ali, podemos encontrar facções de apoio a James McAvoy, Martin Freeman, Tom Holland e Jamie Bell. É pena que não exista, pois, se existisse, assinávamos por baixo na de Casey Affleck.
A percentagem é de 99%. No entanto, Juan António Bayona, realizador de El Orfanato, não deu grande importância ao único ponto percentual que ainda existirá contra a escolha de Guillermo Del Toro, e avançou que este será o realizador de The Hobbit. Dos dois, entenda-se, back-to-back. Aqui fica o vídeo que o comprova.
Três filmes em preparação e que, em nosso entender, merecem uma análise aqui no Deuxieme. Dois deles serão sequelas, o outro, um remake. Comecemos então pelas continuações dos trabalhos prévios, até porque um deles ainda agora chegou às salas.
Primeiro a de Superman Returns. Jamais ficaremos surpreendidos com o anúncio de um novo filme sobre o Homem de Aço. Aliás, o estranho é não fazerem mais. Todos sabemos quanto rende nas bilheteiras um filme do Super-Homem. No entanto, também sabemos que a Warner Brothers não ficou com um sorriso de orelha a orelha, após os resultados do filme de 2006. Foi mais um sorriso amarelo. A crítica não gostou nem desgostou, ou não tivessem quase todos corrido o filme com três estrelas. Os fãs ficaram sem saber bem o que dizer. Uns queixaram-se da falta de acção, outros gostaram de ver o lado mais pessoal de Clark Kent, perdão, Super-Homem. O que importa é que o estúdio responsável não está muito inclinado para os meios-termos. O próximo filme deverá ser tão estrondoso quanto possível. Vai daí e trata de arranjar um substituto para Bryan Singer e Brendan Routh. Quer dizer, isto ainda é o início, e tudo não passa de rumores que circulam em Hollywood. Contudo, são rumores com algum fundamento. Agora, o problema é se, ao abdicar do meio-termo, a Warner Brothers não vê a balança cair para o lado menos desejado. Não é qualquer projecto que se dá ao luxo de abdicar de um realizador como Bryan Singer.
A outra sequela, bom, ainda há pouco tempo falámos aqui deste filme e já se discute a sua continuação. O aspecto mais intrigante neste caso será encontrar a tagline para o filme, dado que a de I Am Legend é The last man on Earth is not alone. Só se for qualquer coisa como After all, there is another last man on Earth that is not alone. A não ser que Will Smith regresse e, aí, as coisas ficavam mais simples. O chato é que Smith reconheceu recentemente não estar muito virado para sequelas. Resquícios de Bad Boys 2? Seja como for, a Warner Brothersjá garantiu os direitos para uma segunda parte, caso ela venha a acontecer.
Quanto ao remake. Esta é a única razão que levaria a dar pulos de contentamento, quando já passa da uma da madrugada. Literalmente. Este é daquele tipo de notícia que nos leva a bater com a cabeça no computador, antes de a relermos novamente, só para confirmar que percebemos bem. E, percebemos mesmo bem. Neste momento, Guillermo Del Toro tem a secretária de trabalho atulhada com esboços de planos para o remake de Frankenstein. Com ou sem noiva, ainda não sabemos, mas, caramba, só a ideia. Então o que é que vais ver este fim-de-semana? Hum, nada de especial, talvez o Frankenstein do Del Toro. Só isto justifica todos os pulos de contentamento, seja a que hora for. Vamos lá saltar um bocadinho.
Chegou hoje às lojas, um dos melhores filmes do ano de 2006, estreado nas nossas salas já em 2007. Já praticamente tudo se escreveu sobre O Labirinto do Fauno. Mágico, fenomenal, grandioso, violento, brilhante, todos estes foram adjectivos utilizados para classificar a obra-prima de Guillermo Del Toro. Escusar-me-ei a cair na redundância de elogiar um título por demais aplaudido, se bem que nunca seja demais enaltecer um trabalho desta qualidade. Quando, num post anterior, foi colocada a questão porque é que gostamos de cinema, e quem são os culpados deste fascínio, Del Toro é claramente um dos mais novos responsáveis.
A confrontação entre o mundo de fantasia e a dura realidade é apaixonante. Os dois fazem-nos sofrer e sonhar, ao mesmo tempo, de uma forma angustiante mas deliciosa. Sergi Lopez, como o Capitão Vidal, e Ivana Baquero, no papel de Ofelia, são divinais. Disse que não iria elogiar este filme, e aqui estou eu… É tão fácil fazê-lo, que nem nos apercebemos. Quem já viu o filme, saberá certamente do que estou a falar. Quem ainda não teve oportunidade de o ver, esta Edição Especial é a desculpa perfeita. Este é um labirinto do qual não queremos sair.